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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Redação Premiada

Lembranças-Presentes

Rio Preto, cidade onde eu morava até o fim da década de 40, era uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Analfabeta, eu não sabia muito das coisas. Estudar era para poucas pessoas e eu não era uma delas. Era pobre, tinha 7 irmãos e era a mais velha. Não tinha tempo para estudar, mesmo que eu quisesse, pois tinha que acordar às quatro horas da manhã, para buscar lenha.
Minha infância não foi muito boa, mas também não foi muito ruim. Brincava de pique, nadava nos riachos, brincava de esconder, entre outras maravilhosas brincadeiras. Contudo, eu tinha que ser muito responsável, porque além de buscar lenha, tinha que cuidar da casa, fazer comida e cuidar de meus irmãos. Minha mãe era muito doente, por isso ela me ensinou tudo o que sabia, até a fazer sabão.
Meu pai vivia trabalhando. Mas quando dava a época da Folia de Reis, ele vestia sua fantasia e sumia. Quando voltava, chegava cheio de brincos, dinheiro e outras coisinhas que ganhava dos outros enquanto ficava fazendo suas palhaçadas. Meu pai era um homem divertido. Trabalhava na fábrica de manteiga de nossa cidade. Eu, meus irmãos, minha mãe e meu pai éramos uma família muito unida e vivíamos felizes.
Quando fiz 17 anos, comecei a trabalhar na casa de um dono de uma empreiteira como empregada doméstica. Meu patrão era muito bom e confiava muito em mim. Um dia, meu patrão me disse que sua empreiteira teria que mudar de Rio Preto para uma cidade que estava surgindo no interior do Rio de Janeiro, a famosa Volta Redonda. Naquela época, muito se falava desta cidade. Todos queriam mudar de vida. E Volta Redonda era a esperança de muita gente. Pensei bastante na proposta de meu patrão. Conversei com meus pais e, contrariando a vontade deles, decidi ir com a empreiteira para Volta Redonda.
Quando cheguei aqui, vi vários homens construindo uma siderúrgica enorme, a CSN, e fiquei até sem fôlego pelo seu tamanho. Nunca tinha visto algo tão grande assim. No início, morava na casa de meu patrão mesmo. Mas, depois de algum tempo na cidade dos sonhos, conheci um homem de pele escura, alto e bonito que trabalhava como músico na banda da CSN e como bombeiro na tal siderúrgica. Ele se chamava Júlio Camilo. Comecei a namorar com ele. Até que um belo dia, ele me pediu em casamento. Naquela época, não se namorava muito, logo se casava. Fomos visitar meus pais, para que Júlio pudesse pedir a minha mão. Assim foi consentido. Quando voltamos, conversei com o meu patrão dizendo que eu iria me casar e estava pensando em largar a sua empreiteira. Passou um tempo, eu parei de trabalhar e me casei.
Foi o dia mais feliz da minha vida. Casei-me em uma igreja nova da cidade, chamada Nossa Senhora da Conceição. Depois vim morar num bairro perto da siderúrgica, numa casa linda. Na época, a CSN estava dando casa para quem tinha um bom cargo e estava para se casar. Esse bairro se chamava Conforto. As casas foram construídas para quem trabalhava na CSN. O bairro foi bem projetado. Era muito bom, calmo e seguro. E nesta casa linda, tive nove filhos e, como tinha largado a empreiteira, comecei a lavar roupa do pessoal do bairro, para ajudar nas despesas da casa. À medida que nossos filhos cresciam, meu marido foi colocando eles para estudar em bons colégios, para serem alguém na vida.
O tempo foi passando e meus pais vieram morar conosco. Éramos uma família unida e feliz. Até que Deus foi chamando um a um para a sua morada, meu pai e minha mãe. E assim nossos filhos foram crescendo. E nesse meio tempo, meu marido também partiu para junto de Deus. A dor da partida ... Ah,... É difícil de descrever, só sentindo mesmo. Mas como Deus me deu filhos, fortaleci-me neles. Pois depois vieram os netos. Ah, quanta alegria!!!
Moro até hoje no bairro Conforto, mas em outra casa com meus filhos e netos. Se algo de minha história posso deixar como legado, deixo todos os momentos que vivi. Pois foram momentos vividos intensamente e que jamais sairão da lembrança. Lembranças que começaram em Rio Preto, lembranças que recomeçaram em Volta Redonda. Lembranças passadas... não sei. Quando me lembro de tudo que vivi, sinto as mesmas emoções de outros tempos. Parecem mais "Lembranças-Presentes"...

Matheus Camilo Silva Damaciano

3 comentários:

thais vilarinho disse...

Maneeeeeeero !
Aluna : Donna' .. Themis !

indrally disse...

sempre gostei de escrever redações,porque nelas podemos escrever o que pensamos e soltar nossa mente e deixar fluir,Matheus Camilo parabéns por ter tido sua redação pŕemiada.

Leticia disse...

Matheus Camilo meu amigo, como sempre arrebentando eu realmente me emocionei com sua história amigo continue assim sendo esse menino com que voce é .